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Recuperado, humorista conta tudo que viveu na Cracolândia: “conheci até um ator de Malhação”

por Jovem Pan, . - Atualizado em

Márcio Américo visita o Pânico; veja fotos

Márcio Américo participou do Pânico nesta quinta-feira

Fonte: Johnny Drum/Jovem Pan

Márcio Américo participou do Pânico nesta quinta-feira

Fonte: Johnny Drum/Jovem Pan

Fonte: Johnny Drum/Jovem Pan

Fonte: Johnny Drum/Jovem Pan

Fonte: Johnny Drum/Jovem Pan

Fonte: Johnny Drum/Jovem Pan

Fonte: Johnny Drum/Jovem Pan

Fonte: Johnny Drum/Jovem Pan

Fonte: Johnny Drum/Jovem Pan

Fonte: Johnny Drum/Jovem Pan

<p><span>M&aacute;rcio Am&eacute;rico participou do P&acirc;nico nesta quinta-feira</span></p>

Márcio Américo tem uma história de vida única. Ele sabe disso e faz questão de contá-la nas entrevistas de que participa. Atualmente ator, roteirista, escritor e humorista de sucesso nos palcos brasileiros, o londrinense, antes viciado em drogas, já foi frequentador “assíduo” da Cracolândia, região que reúne usuários em estágios avançados de dependência na área central de São Paulo. E, sobre o assunto, não tem problema algum em contar tudo o que viu por lá.

“Eu usava cocaína. Um dia cheguei na boca e não tinha, só tinha crack. Aí me perguntaram: pode ser? Parecia um comercial da Pepsi. Eu disse: pode ser. Caí nessa e comecei a usar desesperadamente. Batia cartão na Cracolândia. Parei só em 2001. Ficava com os ‘nóias’ maravilhosos, conheci pessoas fantásticas, até um ator da Malhação. Conheci bailarinos, advogados, toda sorte de pessoas. É um ‘microcosmos’. Um Big Brother, um reality show paranoico. Saí graças à minha mulher. Se eu fosse esperar Deus, estava lá até agora, ela foi mais rápida (risos)”, disse em entrevista ao Pânico na Rádio nesta quinta-feira (21).

Márcio afirmou ainda que a polícia e a prefeitura apenas fingem ter controle do local, completamente dominado pelo Primeiro Comando da Capital (PCC), por “propaganda superficial” e relembrou que, para sustentar seu vício, foi ao extremo de vender coisas de sua própria casa escondido e tentou traficar. Na época, foi internado diversas vezes – momento em que conheceu alguns lugares os quais prefere esquecer.

“Vou citar duas clínicas horríveis. Em qualquer internação, se não houver profissionais preparados, vai piorar a vida do interno. Eu fiquei em uma filha da p*** em Maringá que era um depósito de seres humanos. Ficavam todos no chão tendo convulsões e ninguém fazia nada. Também teve uma outra que era uma fazenda. Nessa eu aprendi os 12 passos e entendi que tinha uma doença. Mas o modus operandi era o da anulação do ego, anulação da personalidade. Era o dia inteiro com pressão constante e punições. Um dia um interno veio me dar um esporro, sendo que ele era tão dependente quanto eu! Arrumei minhas coisas e fui embora depois de cinco meses. Mas foi importante, me serviu como combustível”, contou.

No próximo dia 3 de outubro, Márcio vai estrear seu mais novo espetáculo, Show de Graça, no Teatro Augusta, em São Paulo. Nele, representará o Pastor Adélio, um religioso 171 que é, segundo ele, “o mais sincero e cara de pau do Brasil”. Os ingressos já estão à venda.

Por fim, o convidado voltou no tempo e disse que sua veia humorística foi descoberta na década de 80, quando fez um curso de artes cênicas e se aproximou da comédia. Interrompida pelo vício, a carreira voltou a florescer dentro da própria Cracolândia.

“O humor me salvou. Um dia eu estava lá fumando e tinha uma gorda, um carinha meio perneta e uma menina com o cabelo todo colorido. Falei: cara, estou no Sítio do Pica Pau Amarelo”, brincou.

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