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“Macacos não são transmissores de Febre Amarela”, alerta infectologista

por Jovem Pan, . - Atualizado em

Muitas pessoas estavam acreditando que os macacos eram transmissores da doença. Apenas mosquitos silvestres transmitem

Muitas pessoas estavam acreditando que os macacos eram transmissores da doença. Apenas mosquitos silvestres transmitem

Fonte: Johnny Drum/Jovem Pan

O medo da população de São Paulo por conta do aumento de casos de morte por Febre Amarela fez com que surgissem algumas dúvidas sobre a doença. Notícias de que macacos começaram a ser mortos por pessoas mostram que a desinformação ainda é grande. Em entrevista ao Morning Show desta quarta-feira (17), o infectologista Jean Gorinchteyn alertou que o transmissor da febre são mosquitos silvestres que vivem nas regiões das matas, e não os símios, que apenas acabam sendo picados como os humanos.

O doutor explica que os animais acabam servindo apenas como alerta de que a região pode estar exposta ao vírus, que é apenas transmitido por meio da picada de mosquitos, que migram da florestas para regiões urbanas.

“Os macacos são nossos alertas. Identificamos os macacos mortos e avaliamos se eles tem febre amarela. Servem como guia e falamos para as cidades que é necessário imunizar. 80% dos macacos acabam morrendo, mas servem para nós como sentinelas”, explica.

Mas qual a explicação desses mosquitos estarem saindo das regiões florestais para centros urbanos? De acordo com Gorinchteyn, os altos índices de desmatamento e também a tragédia de Mariana mudaram totalmente o ecossistema, fazendo esses insetos transmissores se locomoverem.

“Se imaginarmos que um mosquito fêmea produz 30 ovos, haja sapos para cuidar deles. A questão não é essa. As pessoas contaminadas foram quem estavam nessas regiões de selva ou em seus entornos. Esses mosquitos silvestres picaram pessoas que entraram nas matas ou que estavam em seu entorno. Falar que alguém veio contaminado é muito romântico. Os mosquitos tendem a migrar por conta do desflorestamento. É algo importante que deve ser considerado”, conta.

“Houve uma progressão da febre amarela de 2015 para cá e em 2016 teve uma intensificação. O avanço dela chegou no sudeste, em especial em Minas Gerais. Tivemos uma grande deformação no ecossistema em Mariana. Muitas árvores foram destruídas e com o acidente e os mosquitos foram empurrados para outros lugares”, completa.


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